séculos I–IV
Todos os papas: dois mil anos de história, fé e poder
Uma leitura documentada dos 267 pontificados reconhecidos oficialmente — de Pedro a Leão XIV — com contexto bíblico, períodos históricos, concílios, crises, reformas, controvérsias e uma cronologia pesquisável.
Uma história que precisa ser lida em camadas
A palavra papa deriva do grego pappas, uma forma afetuosa de “pai”. Durante a Antiguidade, o tratamento não era exclusivo do bispo de Roma. Com o passar dos séculos, no Ocidente latino, tornou-se o título característico daquele que a Igreja Católica considera sucessor de Pedro e bispo da igreja romana.
Entretanto, “o papado” de Pedro, Gregório Magno, Inocêncio III, Pio IX e Francisco não funcionou da mesma maneira. O ofício atravessou impérios, invasões, reformas, cismas, revoluções, guerras mundiais e mudanças profundas na própria organização da Igreja. Projetar o Vaticano moderno sobre o século I produz uma narrativa simples, mas historicamente enganosa.
Este estudo distingue quatro planos: o testemunho do Novo Testamento sobre Pedro; a tradição católica da sucessão; o que pode ser reconstruído pela pesquisa histórica; e as avaliações confessionais, que variam entre católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes. Informar essas diferenças não diminui a fé de ninguém: torna a leitura mais honesta.
Da liderança apostólica ao episcopado romano

Pedro é uma das figuras mais visíveis do Novo Testamento. Ele aparece como porta-voz dos Doze, testemunha da ressurreição e participante central da missão descrita em Atos. Textos como Mateus 16:18–19, Lucas 22:31–32 e João 21:15–17 ocupam lugar decisivo na interpretação católica do ministério petrino. Outras tradições cristãs reconhecem a importância de Pedro, mas discordam sobre se essas passagens instituem uma jurisdição transmissível e universal sobre toda a Igreja.
O Novo Testamento não narra a chegada nem a morte de Pedro em Roma de maneira direta. Ainda assim, 1 Pedro 5:13 pode usar “Babilônia” como nome simbólico para Roma, e testemunhos cristãos do final do século I e do século II relacionam Pedro e Paulo à capital imperial. Por isso, a presença e o martírio de Pedro em Roma são considerados historicamente plausíveis por muitos estudiosos, mesmo quando se discute a forma precisa de sua liderança local.
As primeiras décadas da igreja romana são difíceis de reconstruir. Algumas pesquisas sugerem que a comunidade foi inicialmente conduzida por um grupo de presbíteros ou supervisores antes de um episcopado monárquico claramente identificável. As listas de sucessão preservadas por autores antigos oferecem nomes — Lino, Anacleto, Clemente e outros —, mas as datas e os detalhes biográficos foram muitas vezes organizados retroativamente.
Clemente I é especialmente importante porque a carta conhecida como 1 Clemente, escrita pela igreja de Roma à igreja de Corinto por volta do final do século I, demonstra que a comunidade romana intervinha pastoralmente além de sua região. Católicos veem nesse gesto um indício antigo de responsabilidade mais ampla; historiadores também observam que a carta fala em nome da igreja romana, e não como um decreto pessoal moldado segundo a administração papal de séculos posteriores.
Durante as perseguições, vários bispos romanos morreram, foram exilados ou enfrentaram divisões provocadas pela pergunta: o que fazer com cristãos que negaram a fé sob ameaça e depois desejaram voltar? Ponciano renunciou ao ser deportado; Cornélio enfrentou o cisma rigorista de Novaciano; Fabiano morreu na perseguição de Décio. A autoridade era exercida em uma igreja vulnerável, sem palácios, Estado próprio ou alcance diplomático.
Na linguagem católica, Pedro é o primeiro papa. Em linguagem histórico-institucional, é mais preciso dizer que a tradição do bispo de Roma como sucessor de Pedro se desenvolveu gradualmente. As duas frases respondem a perguntas diferentes.
Oito períodos para compreender a transformação do papado
As fronteiras entre períodos são didáticas. Mudanças institucionais raramente acontecem em um único ano.
311–604
Da tolerância ao mundo pós-romano
604–1048
Papado medieval inicial
1049–1303
Reforma e auge medieval
1303–1447
Avignon e Grande Cisma
1447–1700
Renascimento e reformas
1700–1878
Iluminismo e revoluções
1878–presente
Papado contemporâneo
Quando o bispo perseguido se tornou uma autoridade pública
A conversão de Constantino e a tolerância imperial ao cristianismo mudaram o ambiente em que os bispos atuavam. Melquíades recebeu propriedades; Silvestre I governou durante o Concílio de Niceia; basílicas monumentais passaram a abrigar o culto. Mas a famosa “Doação de Constantino”, segundo a qual o imperador teria concedido poder temporal sobre o Ocidente ao papa, é um documento medieval falsificado, demonstrado como tal por análise filológica no Renascimento.
O século IV foi marcado por disputas sobre a divindade do Filho, a relação entre Pai e Filho e a recepção das decisões de Niceia. Os bispos de Roma participaram dessas controvérsias, mas dependiam de imperadores, concílios e redes episcopais. Libério chegou a ser exilado. Dâmaso I fortaleceu a memória dos mártires, patrocinou inscrições e incumbiu Jerônimo de revisar textos bíblicos latinos.
Leão I, chamado “Magno”, tornou-se um marco. Seu Tomo foi recebido no Concílio de Calcedônia em 451 como uma formulação importante sobre as duas naturezas de Cristo. Ao mesmo tempo, o cânon 28 de Calcedônia elevou Constantinopla por ser a “Nova Roma”, algo rejeitado por Leão. O episódio demonstra que prestígio apostólico, geografia imperial e autoridade conciliar permaneciam em tensão.
Com a deposição do último imperador romano do Ocidente em 476, os bispos de Roma passaram a exercer funções cívicas cada vez mais visíveis. Negociavam suprimentos, cuidavam de pobres, preservavam propriedades e dialogavam com governantes germânicos e imperadores orientais. Gelásio I formulou a relação entre autoridade sacerdotal e poder régio; Gregório Magno administrou extensos patrimônios, escreveu sobre cuidado pastoral e enviou missionários aos anglo-saxões.
Isso não significa uma marcha contínua de crescimento. Vigílio foi pressionado pelo imperador Justiniano; Martinho I foi preso e exilado; Honório I acabou condenado postumamente na controvérsia monotelita. Esses casos lembram que papas podiam sofrer coerção, tomar decisões contestadas e ser avaliados criticamente por concílios posteriores.
Alianças, famílias romanas, reformas e conflito com os impérios

A distância de Constantinopla e a instabilidade italiana levaram os papas a buscar novos protetores. Estêvão II aliou-se aos francos; doações territoriais associadas a Pepino contribuíram para a formação dos Estados Pontifícios. Em 800, Leão III coroou Carlos Magno imperador. O gesto afirmou que Roma podia conferir legitimidade, mas também criou séculos de disputa sobre quem tinha precedência: o governante secular ou a autoridade espiritual.
Entre os séculos IX e X, famílias aristocráticas de Roma e potências imperiais interferiram fortemente nas eleições. Pontificados brevíssimos, deposições e violência não eram exceções. O julgamento póstumo de Formoso, conhecido como Sínodo do Cadáver, e a trajetória politizada de João XII simbolizam a crise. A lenda da Papisa Joana também foi situada por narradores nesse período, mas surge em fontes tardias e não possui sustentação documental contemporânea.
Bento IX ocupa lugar singular porque a lista oficial registra três pontificados seus. Ele foi expulso, retornou, renunciou e tentou recuperar o ofício. A crise de 1046 levou ao Sínodo de Sutri e abriu caminho para reformas que buscavam combater simonia, controle laico e falta de disciplina clerical. O papado reformador não nasceu de um cenário idealizado: emergiu da consciência de que a própria instituição precisava ser corrigida.
Leão IX, Nicolau II e Gregório VII representam essa virada. Em 1059, a eleição papal foi vinculada de modo especial aos cardeais, reduzindo formalmente a interferência de nobres e imperadores. Gregório VII confrontou Henrique IV na Questão das Investiduras. A cena de Canossa, em 1077, tornou-se símbolo do conflito, embora a disputa continuasse e Gregório morresse no exílio.
As excomunhões de 1054 são frequentemente tratadas como a data exata do “Cisma do Oriente”. A realidade foi mais longa. Diferenças teológicas, linguísticas, litúrgicas e políticas já se acumulavam, e as relações oscilaram depois daquele ano. Além disso, o papa Leão IX havia morrido quando seus legados depositaram a bula contra o patriarca de Constantinopla. O afastamento entre católicos e ortodoxos consolidou-se em processos posteriores, agravados pela violência da Quarta Cruzada contra Constantinopla, em 1204.
Urbano II convocou a Primeira Cruzada em 1095. Para os participantes, havia peregrinação, penitência, defesa de cristãos orientais e recuperação de lugares santos; para a análise histórica, também houve interesses dinásticos, conquista, massacres de judeus e muçulmanos e violência entre cristãos. Um estudo responsável não reduz as Cruzadas a uma única motivação nem omite suas vítimas.
No século XIII, Inocêncio III expressou o auge da autoridade papal medieval. Convocou o IV Concílio de Latrão, interveio em disputas políticas e ampliou instrumentos jurídicos. O crescimento das ordens mendicantes, das universidades e do direito canônico criou uma Igreja ocidental mais conectada a Roma. Ao mesmo tempo, repressão a dissidências, cruzadas internas e mecanismos inquisitoriais revelam o custo humano de uma ordem religiosa estreitamente ligada ao poder coercitivo.
Quando cristãos sinceros não sabiam qual papa reconhecer

Depois do conflito entre Bonifácio VIII e Filipe IV da França, Clemente V estabeleceu a corte pontifícia em Avignon. De 1309 a 1377, sete papas governaram a partir dali. A administração tornou-se mais centralizada e fiscalmente eficiente, mas a proximidade com a monarquia francesa alimentou acusações de dependência política.
Gregório XI voltou a Roma em 1377 e morreu no ano seguinte. O conclave de 1378 elegeu Urbano VI; cardeais que depois declararam ter agido sob pressão escolheram Clemente VII, instalado em Avignon. Europa, dioceses, universidades e ordens religiosas dividiram-se entre obediências. Não se tratava apenas de pessoas oportunistas: santos e teólogos defenderam lados diferentes porque a legitimidade era realmente difícil de determinar.
A tentativa conciliar de Pisa, em 1409, depôs dois pretendentes e escolheu um terceiro, mas os anteriores não aceitaram a decisão. Por um período, três linhas reclamavam autoridade. O Concílio de Constança conseguiu avançar: João XXIII, hoje classificado como antipapa, foi deposto; Gregório XII autorizou o concílio e renunciou; Bento XIII de Avignon perdeu apoio. Martinho V foi eleito em 1417.
A crise deixou uma pergunta duradoura: um concílio representa autoridade acima do papa em uma emergência? O conciliarismo ganhou força no século XV, mas a monarquia papal voltou a prevalecer no Ocidente. Para o historiador, o episódio também mostra que a lista “oficial” é resultado de decisões posteriores. Certos nomes foram reconhecidos ou rejeitados de maneira diferente ao longo do tempo.
Arte extraordinária, política dinástica e uma divisão irreversível

Nicolau V, Sisto IV, Júlio II e Leão X fizeram de Roma um centro do humanismo e das artes. A Biblioteca Vaticana, a Capela Sistina, a nova Basílica de São Pedro e obras de mestres do Renascimento pertencem a esse legado. Entretanto, patrocínio artístico dependia de receitas, alianças e estratégias políticas; alguns papas agiam como príncipes italianos, promoviam parentes e participavam de guerras.
O período também coincide com a expansão marítima europeia. Bulas de Nicolau V, Calisto III e Alexandre VI foram empregadas para justificar conquista, domínio e evangelização em territórios não europeus. A relação entre esses textos, o direito de padroado, escravização e colonialismo é complexa, mas não pode ser omitida. Documentos e ações posteriores criticaram abusos, sem apagar as consequências históricas das autorizações anteriores.
Alexandre VI tornou-se símbolo do nepotismo renascentista. Nem toda acusação popular contra os Bórgia é comprovável, mas sua promoção familiar e política dinástica estão bem documentadas. Júlio II foi grande patrono e “papa guerreiro”. Leão X herdou projetos caros e autorizou uma campanha de indulgências vinculada à construção de São Pedro.
Em 1517, Martinho Lutero contestou a pregação das indulgências. A controvérsia cresceu para questões sobre justificação, Escritura, sacramentos e autoridade eclesiástica. Leão X condenou proposições de Lutero; outros reformadores e governantes ampliaram o rompimento. A Reforma não foi causada por um único papa, mas a demora em enfrentar corrupção, abusos e demandas teológicas agravou a crise.
Paulo III convocou o Concílio de Trento, reconheceu a Companhia de Jesus e iniciou uma etapa de reforma institucional. Trento esclareceu doutrinas contestadas, reorganizou a formação clerical e corrigiu abusos disciplinares. Pio V e Gregório XIII levaram reformas adiante; Gregório promulgou em 1582 o calendário que leva seu nome.
O caso Galileu, sob Urbano VIII, tornou-se outro marco. Não foi simplesmente “ciência contra fé”: envolveu evidência ainda debatida, interpretação bíblica, rivalidades acadêmicas, personalidade e política. Mesmo assim, a condenação e a imposição de silêncio foram erros institucionais com impacto duradouro na credibilidade da Igreja.
Do governo territorial à autoridade espiritual global
No século XVIII, monarquias católicas pressionaram Roma por maior controle sobre igrejas nacionais. Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773 sob forte pressão política. A Revolução Francesa confiscou propriedades, dissolveu ordens e reorganizou a Igreja sem consentimento papal. Pio VI morreu prisioneiro de forças francesas, e alguns imaginaram que o papado terminaria.
Pio VII negociou a Concordata de 1801 com Napoleão, participou da coroação imperial, entrou em conflito com o imperador e foi preso. Depois da queda de Napoleão, recuperou os Estados Pontifícios e restaurou os jesuítas. O século XIX obrigou o papado a responder ao liberalismo, nacionalismo, industrialização e novas formas de Estado.
Pio IX iniciou seu pontificado com gestos reformistas, mas revoluções e guerras o tornaram mais defensivo. Definiu o dogma da Imaculada Conceição em 1854, publicou o Syllabus de erros em 1864 e convocou o Concílio Vaticano I. Em 1870, tropas do Reino da Itália tomaram Roma, encerrando o poder territorial papal sobre grande parte da região central italiana.

A constituição Pastor aeternus definiu a primazia de jurisdição do bispo de Roma e a infalibilidade quando o papa fala ex cathedra, isto é, quando define de modo definitivo uma doutrina de fé ou moral para toda a Igreja. Isso não equivale a impecabilidade pessoal, inspiração constante ou acerto automático em política, ciência, diplomacia e administração.
O concílio foi interrompido pela guerra antes de desenvolver plenamente sua doutrina sobre os bispos e a Igreja. Quase um século depois, o Vaticano II retomaria a questão, colocando a primazia em relação com o colégio episcopal e a vida das igrejas locais.
Guerras mundiais, Vaticano II e um papado verdadeiramente global
Leão XIII respondeu à industrialização com Rerum novarum, em 1891, defendendo direitos e deveres de trabalhadores, proprietários e Estado. O documento tornou-se base da doutrina social católica moderna. Pio X reformou liturgia e direito canônico, incentivou a comunhão frequente e combateu o que chamava de modernismo.
Bento XV tentou mediação na Primeira Guerra Mundial e promoveu ajuda humanitária. Pio XI assinou os Tratados de Latrão de 1929, que criaram o Estado da Cidade do Vaticano, e publicou textos contra fascismo, nazismo e comunismo ateu, embora as relações diplomáticas da Igreja com regimes autoritários continuem objeto de análise.
Pio XII governou durante a Segunda Guerra e o Holocausto. Defensores enfatizam diplomacia, redes de auxílio e receio de que denúncias públicas provocassem represálias; críticos consideram insuficiente sua condenação pública específica do extermínio dos judeus. A abertura de arquivos do pontificado em 2020 ampliou a base documental, e o debate acadêmico permanece ativo. Reduzir o tema a “herói” ou “cúmplice” evita justamente as perguntas que as fontes exigem.
João XXIII surpreendeu ao convocar o Concílio Vaticano II. Entre 1962 e 1965, bispos de todo o mundo trataram de revelação, liturgia, Igreja, liberdade religiosa, ecumenismo, relações com religiões não cristãs e presença cristã no mundo moderno. Paulo VI conduziu as sessões finais e começou a implementar suas decisões.

João Paulo I morreu após apenas 33 dias. A brevidade alimentou teorias conspiratórias, mas não existe prova histórica sólida de assassinato. João Paulo II transformou o alcance midiático e geográfico do papado, realizou numerosas viagens, dialogou com judeus e outras religiões e teve importância simbólica no fim do comunismo do Leste Europeu. Ao mesmo tempo, decisões de seu governo diante de abusos sexuais e movimentos eclesiais são avaliadas criticamente.
Bento XVI, teólogo que havia participado do Vaticano II, enfatizou a relação entre fé e razão. Em 2013, renunciou por considerar insuficientes suas forças, normalizando uma possibilidade jurídica raríssima. Francisco, primeiro latino-americano e primeiro jesuíta, destacou periferias, misericórdia, migrantes, ecologia integral e sinodalidade. Reformou estruturas financeiras e curiais, mas enfrentou polarização, resistências e críticas de direções opostas. Morreu em 21 de abril de 2025.
O conclave de maio de 2025 elegeu Robert Francis Prevost, que tomou o nome Leão XIV. Nascido em Chicago, agostiniano e naturalizado peruano após longo serviço no Peru, tornou-se o primeiro papa dos Estados Unidos e o primeiro de sua ordem. A página oficial da Santa Sé o identifica como o 267º sucessor de Pedro. Como seu pontificado está em andamento, qualquer avaliação histórica precisa permanecer provisória.
O que as tradições cristãs afirmam — e onde discordam
A história do papado não pode ser separada da pergunta teológica sobre autoridade na Igreja.
Sucessor de Pedro e princípio visível de unidade
A Igreja Católica ensina que o bispo de Roma exerce primazia universal a serviço da comunhão. O Vaticano II reafirmou o Vaticano I e, ao mesmo tempo, situou o papa como cabeça do colégio dos bispos, não como autoridade isolada do episcopado.
Primazia reconhecida, jurisdição universal contestada
Igrejas ortodoxas reconhecem a antiga precedência de Roma, mas rejeitam a forma de jurisdição universal e infalibilidade definida no Ocidente. O sentido de primazia no primeiro milênio permanece tema de diálogo.
Autoridade medida pelo evangelho e pelas Escrituras
Protestantes históricos rejeitaram pretensões papais que julgavam sem base bíblica. Hoje, diálogos luteranos, anglicanos e outros discutem se um ministério universal de unidade poderia ser recebido em forma reformada.
Em 2024, o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos publicou uma síntese de décadas de diálogo. O documento observou uma convergência importante: muitas tradições percebem a necessidade de algum serviço de unidade universal, embora discordem sobre seu fundamento, autoridade e modo de exercício.
Por que a lista não é tão simples quanto parece
Antipapa é a designação dada a um pretendente que reivindicou a Sé Romana em oposição a outro candidato depois reconhecido como legítimo. A palavra não significa necessariamente que todos os seus apoiadores agiram de má-fé. Em épocas de comunicação lenta, eleição contestada e pressão militar, comunidades inteiras podiam reconhecer linhas diferentes.
Hipólito de Roma costuma ser chamado de primeiro antipopapa, embora tenha se reconciliado antes da morte. O Grande Cisma do Ocidente gerou linhas romanas, avinhonesas e pisanas. O João XXIII do século XV, Baldassarre Cossa, foi posteriormente classificado como antipapa; por isso Angelo Roncalli pôde escolher o mesmo nome em 1958.
A numeração dos papas chamados João é notoriamente confusa. Não existe João XX porque cálculos medievais duplicaram um nome; um João XVI era antipapa, mas seu número permaneceu como lacuna. Também não há Martinho II e III na sequência moderna, pois dois papas chamados Marino foram lidos como “Martinho” por catálogos antigos.
Um Estêvão eleito em 752 morreu antes de ser consagrado. Durante séculos, algumas listas o contaram como Estêvão II, empurrando os números seguintes. A lista atual da Santa Sé não o inclui como papa, e o Estêvão que governou de 752 a 757 aparece como Estêvão II.
A Papisa Joana é a lenda mais famosa. Relatos escritos surgem no século XIII, muito depois da suposta vida da personagem, e as cronologias disponíveis não deixam uma lacuna plausível. A história é valiosa para estudar imaginação medieval, sátira e disputas confessionais, mas não deve ser apresentada como biografia comprovada.
Nem defesa automática, nem acusação sensacionalista. Indicamos o que é documentado, o que permanece disputado e o que pertence à lenda.
Os 267 pontificados, de Pedro a Leão XIV
Pesquise pelo nome, número, data ou século. Os cartões destacados incluem uma nota histórica adicional.
Pedro
c. 30/33–64/67
Origens e perseguições
Ver nota histórica
Pedro ocupa lugar central no Novo Testamento. Sua presença e morte em Roma pertencem à tradição cristã antiga; a forma institucional posterior do papado desenvolveu-se gradualmente.
Lino
68–79
Origens e perseguições
Anacleto ou Cleto
80–92
Origens e perseguições
Clemente I
92–99
Origens e perseguições
Ver nota histórica
A Primeira Carta de Clemente é um dos mais antigos testemunhos de uma igreja de Roma aconselhando outra comunidade cristã.
Evaristo
96/99–108
Origens e perseguições
Alexandre I
108/109–116/119
Origens e perseguições
Sisto I
117/119–126/128
Origens e perseguições
Telésforo
127/128–137/138
Origens e perseguições
Higino
138–142/149
Origens e perseguições
Pio I
142/146–157/161
Origens e perseguições
Aniceto
150/157–153/168
Origens e perseguições
Sóter
162/168–170/177
Origens e perseguições
Eleutério
171/177–185/193
Origens e perseguições
Vítor I
186/189–197/201
Origens e perseguições
Ver nota histórica
Vítor I participou da controvérsia sobre a data da Páscoa e costuma ser associado à crescente presença do latim na igreja romana.
Zeferino
198–217/218
Origens e perseguições
Calisto I
218–222
Origens e perseguições
Urbano I
222–230
Origens e perseguições
Ponciano
230–235
Origens e perseguições
Ver nota histórica
Exilado para a Sardenha, Ponciano renunciou para que a comunidade romana pudesse eleger um sucessor; é o primeiro caso de renúncia papal claramente documentado.
Antero
235–236
Origens e perseguições
Fabiano
236–250
Origens e perseguições
Ver nota histórica
Fabiano liderou a igreja romana por quatorze anos e morreu na perseguição do imperador Décio.
Cornélio
251–253
Origens e perseguições
Ver nota histórica
Seu pontificado enfrentou o cisma de Novaciano e a discussão sobre como receber cristãos que haviam cedido durante a perseguição.
Lúcio I
253–254
Origens e perseguições
Estêvão I
254–257
Origens e perseguições
Sisto II
257–258
Origens e perseguições
Dionísio
259–268
Origens e perseguições
Félix I
269–274
Origens e perseguições
Eutiquiano
275–283
Origens e perseguições
Caio
283–296
Origens e perseguições
Marcelino
296–304
Origens e perseguições
Marcelo I
306–309
Origens e perseguições
Eusébio
309
Origens e perseguições
Melquíades
311–314
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
Eleito pouco antes da paz constantiniana, Melquíades atravessou a passagem de uma igreja perseguida para uma instituição legalmente tolerada.
Silvestre I
314–335
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
O Concílio de Niceia ocorreu durante seu longo pontificado. Silvestre não presidiu pessoalmente a assembleia, embora Roma tenha sido representada.
Marcos
336
Da tolerância ao mundo pós-romano
Júlio I
337–352
Da tolerância ao mundo pós-romano
Libério
352–366
Da tolerância ao mundo pós-romano
Dâmaso I
366–384
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
Dâmaso fortaleceu a memória dos mártires, defendeu a primazia romana e encarregou Jerônimo de revisar textos bíblicos latinos.
Sirício
384–399
Da tolerância ao mundo pós-romano
Anastácio I
399–401
Da tolerância ao mundo pós-romano
Inocêncio I
401–417
Da tolerância ao mundo pós-romano
Zósimo
417–418
Da tolerância ao mundo pós-romano
Bonifácio I
418–422
Da tolerância ao mundo pós-romano
Celestino I
422–432
Da tolerância ao mundo pós-romano
Sisto III
432–440
Da tolerância ao mundo pós-romano
Leão I
440–461
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
O Tomo de Leão foi decisivo no Concílio de Calcedônia. O encontro com Átila é histórico, mas seus efeitos foram ampliados por tradições posteriores.
Hilário
461–468
Da tolerância ao mundo pós-romano
Simplício
468–483
Da tolerância ao mundo pós-romano
Félix III
483–492
Da tolerância ao mundo pós-romano
Gelásio I
492–496
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
Gelásio formulou uma influente distinção entre autoridade sacerdotal e poder real, texto depois usado em debates medievais sobre Igreja e Estado.
Anastácio II
496–498
Da tolerância ao mundo pós-romano
Símaco
498–514
Da tolerância ao mundo pós-romano
Hormisda
514–523
Da tolerância ao mundo pós-romano
João I
523–526
Da tolerância ao mundo pós-romano
Félix IV
526–530
Da tolerância ao mundo pós-romano
Bonifácio II
530–532
Da tolerância ao mundo pós-romano
João II
532/533–535
Da tolerância ao mundo pós-romano
Agapito I
535–536
Da tolerância ao mundo pós-romano
Silvério
536–537
Da tolerância ao mundo pós-romano
Vigílio
537–555
Da tolerância ao mundo pós-romano
Pelágio I
556–561
Da tolerância ao mundo pós-romano
João III
561–574
Da tolerância ao mundo pós-romano
Bento I
575–579
Da tolerância ao mundo pós-romano
Pelágio II
579–590
Da tolerância ao mundo pós-romano
Gregório I
590–604
Da tolerância ao mundo pós-romano
Ver nota histórica
Gregório Magno reformou a administração, escreveu a Regra Pastoral e enviou a missão de Agostinho de Cantuária aos anglo-saxões.
Sabiniano
604–606
Papado medieval inicial
Bonifácio III
607
Papado medieval inicial
Bonifácio IV
608–615
Papado medieval inicial
Adeodato I
615–618
Papado medieval inicial
Bonifácio V
619–625
Papado medieval inicial
Honório I
625–638
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Honório I foi condenado postumamente no contexto da controvérsia monotelita. O episódio permanece central nos debates sobre os limites da autoridade papal.
Severino
638/640–640
Papado medieval inicial
João IV
640–642
Papado medieval inicial
Teodoro I
642–649
Papado medieval inicial
Martinho I
649–655
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Martinho I foi preso por ordem imperial, levado a Constantinopla e morreu no exílio após resistir ao monotelismo.
Eugênio I
654–657
Papado medieval inicial
Vitaliano
657–672
Papado medieval inicial
Adeodato II
672–676
Papado medieval inicial
Dono
676–678
Papado medieval inicial
Agatão
678–681
Papado medieval inicial
Leão II
681/682–683
Papado medieval inicial
Bento II
684–685
Papado medieval inicial
João V
685–686
Papado medieval inicial
Conon
686–687
Papado medieval inicial
Sérgio I
687–701
Papado medieval inicial
João VI
701–705
Papado medieval inicial
João VII
705–707
Papado medieval inicial
Sisínio
708
Papado medieval inicial
Constantino
708–715
Papado medieval inicial
Gregório II
715–731
Papado medieval inicial
Gregório III
731–741
Papado medieval inicial
Zacarias
741–752
Papado medieval inicial
Estêvão II
752–757
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Sua aliança com os francos favoreceu o surgimento dos Estados Pontifícios. A numeração exclui um Estêvão eleito em 752 que morreu antes da consagração.
Paulo I
757–767
Papado medieval inicial
Estêvão III
768–772
Papado medieval inicial
Adriano I
772–795
Papado medieval inicial
Leão III
795–816
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Leão III coroou Carlos Magno imperador no Natal de 800, um gesto de enorme repercussão para as relações entre papado e império.
Estêvão IV
816–817
Papado medieval inicial
Pascoal I
817–824
Papado medieval inicial
Eugênio II
824–827
Papado medieval inicial
Valentim
827
Papado medieval inicial
Gregório IV
827–844
Papado medieval inicial
Sérgio II
844–847
Papado medieval inicial
Leão IV
847–855
Papado medieval inicial
Bento III
855–858
Papado medieval inicial
Nicolau I
858–867
Papado medieval inicial
Adriano II
867–872
Papado medieval inicial
João VIII
872–882
Papado medieval inicial
Marino I
882–884
Papado medieval inicial
Adriano III
884–885
Papado medieval inicial
Estêvão V
885–891
Papado medieval inicial
Formoso
891–896
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Depois de sua morte, o corpo de Formoso foi julgado no chamado Sínodo do Cadáver. O episódio mostra a violência das facções romanas do século IX.
Bonifácio VI
896
Papado medieval inicial
Estêvão VI
896–897
Papado medieval inicial
Romano
897
Papado medieval inicial
Teodoro II
897
Papado medieval inicial
João IX
897/898–900
Papado medieval inicial
Bento IV
900–903
Papado medieval inicial
Leão V
903
Papado medieval inicial
Sérgio III
904–911
Papado medieval inicial
Anastácio III
911–913
Papado medieval inicial
Lando
913–914
Papado medieval inicial
João X
914–928
Papado medieval inicial
Leão VI
928
Papado medieval inicial
Estêvão VII
929–931
Papado medieval inicial
João XI
931–936
Papado medieval inicial
Leão VII
936–939
Papado medieval inicial
Estêvão VIII
939–942
Papado medieval inicial
Marino II
942–946
Papado medieval inicial
Agapito II
946–955
Papado medieval inicial
João XII
955–964
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
João XII encarnou a forte politização aristocrática do papado no século X; sua deposição e substituição continuam cercadas por problemas canônicos.
Leão VIII
963–965
Papado medieval inicial
Bento V
964–965
Papado medieval inicial
João XIII
965–972
Papado medieval inicial
Bento VI
972/973–974
Papado medieval inicial
Bento VII
974–983
Papado medieval inicial
João XIV
983–984
Papado medieval inicial
João XV
985–996
Papado medieval inicial
Gregório V
996–999
Papado medieval inicial
Silvestre II
999–1003
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Silvestre II foi um importante erudito. Lendas que o transformaram em mago não são consideradas relatos históricos confiáveis.
João XVII
1003
Papado medieval inicial
João XVIII
1003/1004–1009
Papado medieval inicial
Sérgio IV
1009–1012
Papado medieval inicial
Bento VIII
1012–1024
Papado medieval inicial
João XIX
1024–1032
Papado medieval inicial
Bento IX — primeiro pontificado
1032–1044
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Bento IX aparece três vezes na sequência oficial porque ocupou, perdeu e retomou o ofício. O caso é excepcional na história papal.
Silvestre III
1045
Papado medieval inicial
Bento IX — segundo pontificado
1045
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Segundo período de Bento IX, muito breve, entre a expulsão de Silvestre III e sua própria renúncia.
Gregório VI
1045–1046
Papado medieval inicial
Clemente II
1046–1047
Papado medieval inicial
Bento IX — terceiro pontificado
1047–1048
Papado medieval inicial
Ver nota histórica
Terceiro e último período de Bento IX. Sua história evidencia a crise romana que antecedeu a reforma papal do século XI.
Dâmaso II
1048
Papado medieval inicial
Leão IX
1049–1054
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Leão IX foi protagonista da reforma do século XI. As excomunhões de 1054 ocorreram quando ele já havia morrido e não explicam, sozinhas, a longa separação entre Oriente e Ocidente.
Vítor II
1055–1057
Reforma e auge medieval
Estêvão IX
1057–1058
Reforma e auge medieval
Nicolau II
1058–1061
Reforma e auge medieval
Alexandre II
1061–1073
Reforma e auge medieval
Gregório VII
1073–1085
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Gregório VII associou a reforma clerical à independência da Igreja diante do controle laico e entrou em conflito com Henrique IV na Questão das Investiduras.
Vítor III
1086/1087–1087
Reforma e auge medieval
Urbano II
1088–1099
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Urbano II convocou a Primeira Cruzada em Clermont, em 1095. O estudo histórico precisa considerar tanto motivações religiosas quanto violência e interesses políticos.
Pascoal II
1099–1118
Reforma e auge medieval
Gelásio II
1118–1119
Reforma e auge medieval
Calisto II
1119–1124
Reforma e auge medieval
Honório II
1124–1130
Reforma e auge medieval
Inocêncio II
1130–1143
Reforma e auge medieval
Celestino II
1143–1144
Reforma e auge medieval
Lúcio II
1144–1145
Reforma e auge medieval
Eugênio III
1145–1153
Reforma e auge medieval
Anastácio IV
1153–1154
Reforma e auge medieval
Adriano IV
1154–1159
Reforma e auge medieval
Alexandre III
1159–1181
Reforma e auge medieval
Lúcio III
1181–1185
Reforma e auge medieval
Urbano III
1185–1187
Reforma e auge medieval
Gregório VIII
1187
Reforma e auge medieval
Clemente III
1187–1191
Reforma e auge medieval
Celestino III
1191–1198
Reforma e auge medieval
Inocêncio III
1198–1216
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Inocêncio III representa o auge da monarquia papal medieval e convocou o IV Concílio de Latrão, em 1215.
Honório III
1216–1227
Reforma e auge medieval
Gregório IX
1227–1241
Reforma e auge medieval
Celestino IV
1241
Reforma e auge medieval
Inocêncio IV
1243–1254
Reforma e auge medieval
Alexandre IV
1254–1261
Reforma e auge medieval
Urbano IV
1261–1264
Reforma e auge medieval
Clemente IV
1265–1268
Reforma e auge medieval
Gregório X
1271–1276
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Gregório X promulgou regras para acelerar eleições papais; daí se consolidou a prática do conclave.
Inocêncio V
1276
Reforma e auge medieval
Adriano V
1276
Reforma e auge medieval
João XXI
1276–1277
Reforma e auge medieval
Nicolau III
1277–1280
Reforma e auge medieval
Martinho IV
1281–1285
Reforma e auge medieval
Honório IV
1285–1287
Reforma e auge medieval
Nicolau IV
1288–1292
Reforma e auge medieval
Celestino V
1294
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Eremita eleito após longa vacância, Celestino V renunciou poucos meses depois. Sua renúncia mostrou que deixar o ofício era juridicamente possível.
Bonifácio VIII
1294–1303
Reforma e auge medieval
Ver nota histórica
Bonifácio VIII defendeu formulações máximas de autoridade papal e entrou em choque com Filipe IV da França.
Bento XI
1303–1304
Avignon e Grande Cisma
Clemente V
1305–1314
Avignon e Grande Cisma
Ver nota histórica
Com Clemente V começou o período em que os papas residiram em Avignon, sob forte influência política francesa.
João XXII
1316–1334
Avignon e Grande Cisma
Bento XII
1334–1342
Avignon e Grande Cisma
Clemente VI
1342–1352
Avignon e Grande Cisma
Inocêncio VI
1352–1362
Avignon e Grande Cisma
Urbano V
1362–1370
Avignon e Grande Cisma
Gregório XI
1370–1378
Avignon e Grande Cisma
Ver nota histórica
Gregório XI retornou de Avignon para Roma em 1377. Sua morte logo depois abriu o caminho para o Grande Cisma do Ocidente.
Urbano VI
1378–1389
Avignon e Grande Cisma
Ver nota histórica
A eleição de Urbano VI foi seguida pela escolha de um rival em Avignon, iniciando décadas de obediências concorrentes.
Bonifácio IX
1389–1404
Avignon e Grande Cisma
Inocêncio VII
1404–1406
Avignon e Grande Cisma
Gregório XII
1406–1415
Avignon e Grande Cisma
Ver nota histórica
Gregório XII renunciou no processo conciliar que encerrou o Grande Cisma. Sua abdicação ajudou a tornar possível uma eleição reconhecida de modo amplo.
Martinho V
1417–1431
Avignon e Grande Cisma
Ver nota histórica
Eleito no Concílio de Constança, Martinho V restaurou uma linha papal amplamente reconhecida depois do Grande Cisma.
Eugênio IV
1431–1447
Avignon e Grande Cisma
Nicolau V
1447–1455
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Nicolau V promoveu humanismo e biblioteca, mas bulas de seu pontificado também autorizaram conquista e escravização em contextos coloniais; esse legado exige avaliação crítica.
Calisto III
1455–1458
Renascimento e reformas
Pio II
1458–1464
Renascimento e reformas
Paulo II
1464–1471
Renascimento e reformas
Sisto IV
1471–1484
Renascimento e reformas
Inocêncio VIII
1484–1492
Renascimento e reformas
Alexandre VI
1492–1503
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Alexandre VI, da família Bórgia, é associado a nepotismo e política dinástica. A bula Inter caetera integrou a expansão colonial ibérica e teve consequências duradouras.
Pio III
1503
Renascimento e reformas
Júlio II
1503–1513
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Júlio II foi patrono de grandes obras, inclusive a nova Basílica de São Pedro, e também um governante militar envolvido nas guerras italianas.
Leão X
1513–1521
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Leão X governava quando a controvérsia das indulgências e a atuação de Martinho Lutero precipitaram a Reforma Protestante.
Adriano VI
1522–1523
Renascimento e reformas
Clemente VII
1523–1534
Renascimento e reformas
Paulo III
1534–1549
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Paulo III aprovou a Companhia de Jesus e convocou o Concílio de Trento, marco central da Reforma Católica.
Júlio III
1550–1555
Renascimento e reformas
Marcelo II
1555
Renascimento e reformas
Paulo IV
1555–1559
Renascimento e reformas
Pio IV
1559–1565
Renascimento e reformas
Pio V
1566–1572
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Pio V executou reformas tridentinas e promulgou edições do Missal e do Breviário romanos de grande influência.
Gregório XIII
1572–1585
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
Gregório XIII deu nome ao calendário promulgado em 1582, hoje base do calendário civil em grande parte do mundo.
Sisto V
1585–1590
Renascimento e reformas
Urbano VII
1590
Renascimento e reformas
Gregório XIV
1590–1591
Renascimento e reformas
Inocêncio IX
1591
Renascimento e reformas
Clemente VIII
1592–1605
Renascimento e reformas
Leão XI
1605
Renascimento e reformas
Paulo V
1605–1621
Renascimento e reformas
Gregório XV
1621–1623
Renascimento e reformas
Urbano VIII
1623–1644
Renascimento e reformas
Ver nota histórica
O processo de Galileu ocorreu sob Urbano VIII. O episódio envolve ciência, interpretação bíblica, relações pessoais e política institucional.
Inocêncio X
1644–1655
Renascimento e reformas
Alexandre VII
1655–1667
Renascimento e reformas
Clemente IX
1667–1669
Renascimento e reformas
Clemente X
1670–1676
Renascimento e reformas
Inocêncio XI
1676–1689
Renascimento e reformas
Alexandre VIII
1689–1691
Renascimento e reformas
Inocêncio XII
1691–1700
Renascimento e reformas
Clemente XI
1700–1721
Iluminismo e revoluções
Inocêncio XIII
1721–1724
Iluminismo e revoluções
Bento XIII
1724–1730
Iluminismo e revoluções
Clemente XII
1730–1740
Iluminismo e revoluções
Bento XIV
1740–1758
Iluminismo e revoluções
Clemente XIII
1758–1769
Iluminismo e revoluções
Clemente XIV
1769–1774
Iluminismo e revoluções
Ver nota histórica
Sob pressão de cortes católicas europeias, Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773; a ordem seria restaurada em 1814.
Pio VI
1775–1799
Iluminismo e revoluções
Ver nota histórica
Pio VI enfrentou a Revolução Francesa, foi capturado por forças francesas e morreu prisioneiro em Valence.
Pio VII
1800–1823
Iluminismo e revoluções
Ver nota histórica
Pio VII negociou com Napoleão, foi aprisionado por ele e depois restaurou a Companhia de Jesus.
Leão XII
1823–1829
Iluminismo e revoluções
Pio VIII
1829–1830
Iluminismo e revoluções
Gregório XVI
1831–1846
Iluminismo e revoluções
Pio IX
1846–1878
Iluminismo e revoluções
Ver nota histórica
Pio IX teve o mais longo pontificado após Pedro segundo a contagem tradicional, definiu a Imaculada Conceição, convocou o Vaticano I e perdeu os Estados Pontifícios.
Leão XIII
1878–1903
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Leão XIII publicou Rerum novarum, documento decisivo para a doutrina social católica diante da industrialização.
Pio X
1903–1914
Papado contemporâneo
Bento XV
1914–1922
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Bento XV buscou mediação e ajuda humanitária durante a Primeira Guerra Mundial, chamando o conflito de massacre inútil.
Pio XI
1922–1939
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Pio XI assinou os Tratados de Latrão, que criaram o Estado da Cidade do Vaticano, e publicou críticas a ideologias totalitárias.
Pio XII
1939–1958
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
O pontificado de Pio XII atravessou a Segunda Guerra e o Holocausto. Historiadores debatem sua diplomacia, ações de socorro e silêncio público; arquivos abertos continuam alimentando a pesquisa.
João XXIII
1958–1963
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
João XXIII convocou o Concílio Vaticano II e publicou Pacem in terris em meio às tensões da Guerra Fria.
Paulo VI
1963–1978
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Paulo VI conduziu as três sessões finais do Vaticano II, promoveu viagens internacionais e publicou Humanae vitae.
João Paulo I
1978
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
João Paulo I morreu após 33 dias. Investigações oficiais atribuíram a morte a causas naturais; teorias de assassinato não possuem comprovação histórica sólida.
João Paulo II
1978–2005
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
João Paulo II teve atuação global, contribuiu para o colapso do comunismo no Leste Europeu e promoveu diálogo inter-religioso; seu governo também é avaliado criticamente pela resposta a abusos.
Bento XVI
2005–2013
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Teólogo de longa trajetória, Bento XVI renunciou em 2013, primeira renúncia papal efetiva desde Gregório XII, em 1415.
Francisco
2013–2025
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Primeiro papa latino-americano, Francisco enfatizou periferias, cuidado dos pobres, ecologia integral e sinodalidade. Seu pontificado terminou com sua morte em 21 de abril de 2025.
Leão XIV
2025–presente
Papado contemporâneo
Ver nota histórica
Robert Francis Prevost foi eleito em 8 de maio de 2025. É o primeiro papa nascido nos Estados Unidos e o primeiro agostiniano; sua trajetória inclui longo serviço missionário e episcopal no Peru.
A numeração segue a lista oficial da Santa Sé. Ela conta separadamente os três períodos de Bento IX. Datas antigas podem variar entre catálogos porque as fontes não são igualmente completas.
Dúvidas importantes sobre os papas
Quantos papas existiram até hoje?
A lista oficial da Santa Sé apresenta Leão XIV como o 267º papa. A sequência conta separadamente os três períodos de Bento IX e não inclui os antipapas.
Pedro foi realmente o primeiro papa?
A Igreja Católica reconhece Pedro como o primeiro na sucessão dos bispos de Roma. Historicamente, sua liderança entre os apóstolos e sua morte em Roma pertencem a tradições muito antigas, mas a forma institucional do papado se desenvolveu gradualmente ao longo dos primeiros séculos.
O que é um antipapa?
Antipapa é uma pessoa que reivindicou o episcopado de Roma em oposição a outro pretendente depois reconhecido como legítimo. Em algumas crises medievais, a legitimidade não era evidente para os contemporâneos e só foi classificada posteriormente.
Já houve uma mulher papa?
A história da Papisa Joana aparece em fontes medievais tardias, séculos depois do período em que ela supostamente teria vivido. Não há documentação contemporânea confiável, e a narrativa não integra a lista oficial dos pontífices.
Um papa pode renunciar?
Sim. O direito canônico admite a renúncia livre e devidamente manifestada. Ponciano, Celestino V, Gregório XII e Bento XVI estão entre os casos mais importantes.
Infalibilidade significa que o papa nunca erra?
Não. Na doutrina católica, a infalibilidade possui condições delimitadas e se refere a definições sobre fé ou moral apresentadas de modo definitivo no exercício do magistério. Não cobre toda opinião, decisão administrativa, comportamento pessoal ou afirmação informal de um papa.
Onde conferir e aprofundar
A numeração e as datas seguem prioritariamente a lista da Santa Sé, preservando suas indicações de incerteza. A interpretação histórica é confrontada com obras acadêmicas e documentos conciliares. Fontes confessionais são identificadas como expressão de suas próprias tradições.
- Lista oficial dos Sumos Pontífices — Santa Sé
- The Cambridge History of the Papacy — Cambridge University Press
- The Oxford Dictionary of Popes — Oxford Reference
- Pastor aeternus — Concílio Vaticano I
- Lumen gentium — Concílio Vaticano II
- The Bishop of Rome — síntese dos diálogos ecumênicos
- Biografia oficial de Leão XIV — Santa Sé
As imagens desta página são ilustrações editoriais originais. Elas ajudam a ambientar períodos históricos e não devem ser interpretadas como registros fotográficos ou retratos exatos de pessoas identificadas.
