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Todos os papas: dois mil anos de história, fé e poder

Uma leitura documentada dos 267 pontificados reconhecidos oficialmente — de Pedro a Leão XIV — com contexto bíblico, períodos históricos, concílios, crises, reformas, controvérsias e uma cronologia pesquisável.

Atualizado em 24 de julho de 2026Guia de referênciaLista completa
Antes de começar

Uma história que precisa ser lida em camadas

A palavra papa deriva do grego pappas, uma forma afetuosa de “pai”. Durante a Antiguidade, o tratamento não era exclusivo do bispo de Roma. Com o passar dos séculos, no Ocidente latino, tornou-se o título característico daquele que a Igreja Católica considera sucessor de Pedro e bispo da igreja romana.

Entretanto, “o papado” de Pedro, Gregório Magno, Inocêncio III, Pio IX e Francisco não funcionou da mesma maneira. O ofício atravessou impérios, invasões, reformas, cismas, revoluções, guerras mundiais e mudanças profundas na própria organização da Igreja. Projetar o Vaticano moderno sobre o século I produz uma narrativa simples, mas historicamente enganosa.

Este estudo distingue quatro planos: o testemunho do Novo Testamento sobre Pedro; a tradição católica da sucessão; o que pode ser reconstruído pela pesquisa histórica; e as avaliações confessionais, que variam entre católicos, ortodoxos, anglicanos e protestantes. Informar essas diferenças não diminui a fé de ninguém: torna a leitura mais honesta.

01Pedro, Roma e os primeiros séculos

Da liderança apostólica ao episcopado romano

Comunidade cristã do primeiro ou segundo século reunida em uma casa romana
Ilustração editorialAs primeiras comunidades cristãs de Roma se reuniam em redes domésticas. A imagem não pretende retratar uma pessoa identificada.

Pedro é uma das figuras mais visíveis do Novo Testamento. Ele aparece como porta-voz dos Doze, testemunha da ressurreição e participante central da missão descrita em Atos. Textos como Mateus 16:18–19, Lucas 22:31–32 e João 21:15–17 ocupam lugar decisivo na interpretação católica do ministério petrino. Outras tradições cristãs reconhecem a importância de Pedro, mas discordam sobre se essas passagens instituem uma jurisdição transmissível e universal sobre toda a Igreja.

O Novo Testamento não narra a chegada nem a morte de Pedro em Roma de maneira direta. Ainda assim, 1 Pedro 5:13 pode usar “Babilônia” como nome simbólico para Roma, e testemunhos cristãos do final do século I e do século II relacionam Pedro e Paulo à capital imperial. Por isso, a presença e o martírio de Pedro em Roma são considerados historicamente plausíveis por muitos estudiosos, mesmo quando se discute a forma precisa de sua liderança local.

As primeiras décadas da igreja romana são difíceis de reconstruir. Algumas pesquisas sugerem que a comunidade foi inicialmente conduzida por um grupo de presbíteros ou supervisores antes de um episcopado monárquico claramente identificável. As listas de sucessão preservadas por autores antigos oferecem nomes — Lino, Anacleto, Clemente e outros —, mas as datas e os detalhes biográficos foram muitas vezes organizados retroativamente.

Clemente I é especialmente importante porque a carta conhecida como 1 Clemente, escrita pela igreja de Roma à igreja de Corinto por volta do final do século I, demonstra que a comunidade romana intervinha pastoralmente além de sua região. Católicos veem nesse gesto um indício antigo de responsabilidade mais ampla; historiadores também observam que a carta fala em nome da igreja romana, e não como um decreto pessoal moldado segundo a administração papal de séculos posteriores.

Durante as perseguições, vários bispos romanos morreram, foram exilados ou enfrentaram divisões provocadas pela pergunta: o que fazer com cristãos que negaram a fé sob ameaça e depois desejaram voltar? Ponciano renunciou ao ser deportado; Cornélio enfrentou o cisma rigorista de Novaciano; Fabiano morreu na perseguição de Décio. A autoridade era exercida em uma igreja vulnerável, sem palácios, Estado próprio ou alcance diplomático.

O primeiro papa?

Na linguagem católica, Pedro é o primeiro papa. Em linguagem histórico-institucional, é mais preciso dizer que a tradição do bispo de Roma como sucessor de Pedro se desenvolveu gradualmente. As duas frases respondem a perguntas diferentes.

Linha do tempo

Oito períodos para compreender a transformação do papado

As fronteiras entre períodos são didáticas. Mudanças institucionais raramente acontecem em um único ano.

01

séculos I–IV

Origens e perseguições

A documentação é desigual, as datas são frequentemente aproximadas e muitos bispos de Roma morreram durante períodos de perseguição. A estrutura do ofício ainda estava em formação.
02

311–604

Da tolerância ao mundo pós-romano

Depois de Constantino, os bispos de Roma passaram a atuar publicamente, participaram das controvérsias conciliares e assumiram responsabilidades civis crescentes no Ocidente.
03

604–1048

Papado medieval inicial

Relações com Bizâncio, francos, império e famílias aristocráticas romanas moldaram eleições, deposições e períodos de grande instabilidade.
04

1049–1303

Reforma e auge medieval

Reformas clericais, conflitos de investidura, cruzadas, direito canônico, universidades e concílios ampliaram o alcance institucional da Sé Romana.
05

1303–1447

Avignon e Grande Cisma

A residência em Avignon e depois a existência de obediências rivais produziram uma crise de legitimidade que só foi estabilizada no século XV.
06

1447–1700

Renascimento e reformas

Patrocínio artístico, diplomacia dinástica, expansão europeia, Reforma Protestante e Reforma Católica transformaram profundamente a função do papado.
07

1700–1878

Iluminismo e revoluções

Os pontífices enfrentaram monarquias absolutas, supressões religiosas, Revolução Francesa, Napoleão, nacionalismos e o fim dos Estados Pontifícios.
08

1878–presente

Papado contemporâneo

Sem o antigo poder territorial, o papado reforçou sua atuação pastoral, doutrinal, diplomática e global em meio a guerras, concílios, mídia e secularização.
02Constantino, concílios e a queda do Ocidente

Quando o bispo perseguido se tornou uma autoridade pública

A conversão de Constantino e a tolerância imperial ao cristianismo mudaram o ambiente em que os bispos atuavam. Melquíades recebeu propriedades; Silvestre I governou durante o Concílio de Niceia; basílicas monumentais passaram a abrigar o culto. Mas a famosa “Doação de Constantino”, segundo a qual o imperador teria concedido poder temporal sobre o Ocidente ao papa, é um documento medieval falsificado, demonstrado como tal por análise filológica no Renascimento.

O século IV foi marcado por disputas sobre a divindade do Filho, a relação entre Pai e Filho e a recepção das decisões de Niceia. Os bispos de Roma participaram dessas controvérsias, mas dependiam de imperadores, concílios e redes episcopais. Libério chegou a ser exilado. Dâmaso I fortaleceu a memória dos mártires, patrocinou inscrições e incumbiu Jerônimo de revisar textos bíblicos latinos.

Leão I, chamado “Magno”, tornou-se um marco. Seu Tomo foi recebido no Concílio de Calcedônia em 451 como uma formulação importante sobre as duas naturezas de Cristo. Ao mesmo tempo, o cânon 28 de Calcedônia elevou Constantinopla por ser a “Nova Roma”, algo rejeitado por Leão. O episódio demonstra que prestígio apostólico, geografia imperial e autoridade conciliar permaneciam em tensão.

Com a deposição do último imperador romano do Ocidente em 476, os bispos de Roma passaram a exercer funções cívicas cada vez mais visíveis. Negociavam suprimentos, cuidavam de pobres, preservavam propriedades e dialogavam com governantes germânicos e imperadores orientais. Gelásio I formulou a relação entre autoridade sacerdotal e poder régio; Gregório Magno administrou extensos patrimônios, escreveu sobre cuidado pastoral e enviou missionários aos anglo-saxões.

Isso não significa uma marcha contínua de crescimento. Vigílio foi pressionado pelo imperador Justiniano; Martinho I foi preso e exilado; Honório I acabou condenado postumamente na controvérsia monotelita. Esses casos lembram que papas podiam sofrer coerção, tomar decisões contestadas e ser avaliados criticamente por concílios posteriores.

03Idade Média

Alianças, famílias romanas, reformas e conflito com os impérios

Chancelaria eclesiástica medieval com escribas e mensageiros
Ilustração editorialA expansão do direito canônico, das cartas e das redes diplomáticas tornou a Cúria uma estrutura cada vez mais complexa.

A distância de Constantinopla e a instabilidade italiana levaram os papas a buscar novos protetores. Estêvão II aliou-se aos francos; doações territoriais associadas a Pepino contribuíram para a formação dos Estados Pontifícios. Em 800, Leão III coroou Carlos Magno imperador. O gesto afirmou que Roma podia conferir legitimidade, mas também criou séculos de disputa sobre quem tinha precedência: o governante secular ou a autoridade espiritual.

Entre os séculos IX e X, famílias aristocráticas de Roma e potências imperiais interferiram fortemente nas eleições. Pontificados brevíssimos, deposições e violência não eram exceções. O julgamento póstumo de Formoso, conhecido como Sínodo do Cadáver, e a trajetória politizada de João XII simbolizam a crise. A lenda da Papisa Joana também foi situada por narradores nesse período, mas surge em fontes tardias e não possui sustentação documental contemporânea.

Bento IX ocupa lugar singular porque a lista oficial registra três pontificados seus. Ele foi expulso, retornou, renunciou e tentou recuperar o ofício. A crise de 1046 levou ao Sínodo de Sutri e abriu caminho para reformas que buscavam combater simonia, controle laico e falta de disciplina clerical. O papado reformador não nasceu de um cenário idealizado: emergiu da consciência de que a própria instituição precisava ser corrigida.

Leão IX, Nicolau II e Gregório VII representam essa virada. Em 1059, a eleição papal foi vinculada de modo especial aos cardeais, reduzindo formalmente a interferência de nobres e imperadores. Gregório VII confrontou Henrique IV na Questão das Investiduras. A cena de Canossa, em 1077, tornou-se símbolo do conflito, embora a disputa continuasse e Gregório morresse no exílio.

As excomunhões de 1054 são frequentemente tratadas como a data exata do “Cisma do Oriente”. A realidade foi mais longa. Diferenças teológicas, linguísticas, litúrgicas e políticas já se acumulavam, e as relações oscilaram depois daquele ano. Além disso, o papa Leão IX havia morrido quando seus legados depositaram a bula contra o patriarca de Constantinopla. O afastamento entre católicos e ortodoxos consolidou-se em processos posteriores, agravados pela violência da Quarta Cruzada contra Constantinopla, em 1204.

Urbano II convocou a Primeira Cruzada em 1095. Para os participantes, havia peregrinação, penitência, defesa de cristãos orientais e recuperação de lugares santos; para a análise histórica, também houve interesses dinásticos, conquista, massacres de judeus e muçulmanos e violência entre cristãos. Um estudo responsável não reduz as Cruzadas a uma única motivação nem omite suas vítimas.

No século XIII, Inocêncio III expressou o auge da autoridade papal medieval. Convocou o IV Concílio de Latrão, interveio em disputas políticas e ampliou instrumentos jurídicos. O crescimento das ordens mendicantes, das universidades e do direito canônico criou uma Igreja ocidental mais conectada a Roma. Ao mesmo tempo, repressão a dissidências, cruzadas internas e mecanismos inquisitoriais revelam o custo humano de uma ordem religiosa estreitamente ligada ao poder coercitivo.

04Avignon e Grande Cisma do Ocidente

Quando cristãos sinceros não sabiam qual papa reconhecer

Delegações rivais convergem para um concílio no final da Idade Média
Ilustração editorialDurante o Grande Cisma, diferentes reinos e comunidades reconheceram pretendentes rivais. A crise não era simples para quem a viveu.

Depois do conflito entre Bonifácio VIII e Filipe IV da França, Clemente V estabeleceu a corte pontifícia em Avignon. De 1309 a 1377, sete papas governaram a partir dali. A administração tornou-se mais centralizada e fiscalmente eficiente, mas a proximidade com a monarquia francesa alimentou acusações de dependência política.

Gregório XI voltou a Roma em 1377 e morreu no ano seguinte. O conclave de 1378 elegeu Urbano VI; cardeais que depois declararam ter agido sob pressão escolheram Clemente VII, instalado em Avignon. Europa, dioceses, universidades e ordens religiosas dividiram-se entre obediências. Não se tratava apenas de pessoas oportunistas: santos e teólogos defenderam lados diferentes porque a legitimidade era realmente difícil de determinar.

A tentativa conciliar de Pisa, em 1409, depôs dois pretendentes e escolheu um terceiro, mas os anteriores não aceitaram a decisão. Por um período, três linhas reclamavam autoridade. O Concílio de Constança conseguiu avançar: João XXIII, hoje classificado como antipapa, foi deposto; Gregório XII autorizou o concílio e renunciou; Bento XIII de Avignon perdeu apoio. Martinho V foi eleito em 1417.

A crise deixou uma pergunta duradoura: um concílio representa autoridade acima do papa em uma emergência? O conciliarismo ganhou força no século XV, mas a monarquia papal voltou a prevalecer no Ocidente. Para o historiador, o episódio também mostra que a lista “oficial” é resultado de decisões posteriores. Certos nomes foram reconhecidos ou rejeitados de maneira diferente ao longo do tempo.

05Renascimento, expansão colonial e Reforma

Arte extraordinária, política dinástica e uma divisão irreversível

Oficina de impressão renascentista com clérigos debatendo e São Pedro em construção
Ilustração editorialA imprensa acelerou a circulação de críticas e ideias justamente quando Roma patrocinava grandes obras e enfrentava a Reforma.

Nicolau V, Sisto IV, Júlio II e Leão X fizeram de Roma um centro do humanismo e das artes. A Biblioteca Vaticana, a Capela Sistina, a nova Basílica de São Pedro e obras de mestres do Renascimento pertencem a esse legado. Entretanto, patrocínio artístico dependia de receitas, alianças e estratégias políticas; alguns papas agiam como príncipes italianos, promoviam parentes e participavam de guerras.

O período também coincide com a expansão marítima europeia. Bulas de Nicolau V, Calisto III e Alexandre VI foram empregadas para justificar conquista, domínio e evangelização em territórios não europeus. A relação entre esses textos, o direito de padroado, escravização e colonialismo é complexa, mas não pode ser omitida. Documentos e ações posteriores criticaram abusos, sem apagar as consequências históricas das autorizações anteriores.

Alexandre VI tornou-se símbolo do nepotismo renascentista. Nem toda acusação popular contra os Bórgia é comprovável, mas sua promoção familiar e política dinástica estão bem documentadas. Júlio II foi grande patrono e “papa guerreiro”. Leão X herdou projetos caros e autorizou uma campanha de indulgências vinculada à construção de São Pedro.

Em 1517, Martinho Lutero contestou a pregação das indulgências. A controvérsia cresceu para questões sobre justificação, Escritura, sacramentos e autoridade eclesiástica. Leão X condenou proposições de Lutero; outros reformadores e governantes ampliaram o rompimento. A Reforma não foi causada por um único papa, mas a demora em enfrentar corrupção, abusos e demandas teológicas agravou a crise.

Paulo III convocou o Concílio de Trento, reconheceu a Companhia de Jesus e iniciou uma etapa de reforma institucional. Trento esclareceu doutrinas contestadas, reorganizou a formação clerical e corrigiu abusos disciplinares. Pio V e Gregório XIII levaram reformas adiante; Gregório promulgou em 1582 o calendário que leva seu nome.

O caso Galileu, sob Urbano VIII, tornou-se outro marco. Não foi simplesmente “ciência contra fé”: envolveu evidência ainda debatida, interpretação bíblica, rivalidades acadêmicas, personalidade e política. Mesmo assim, a condenação e a imposição de silêncio foram erros institucionais com impacto duradouro na credibilidade da Igreja.

06Revoluções e fim dos Estados Pontifícios

Do governo territorial à autoridade espiritual global

No século XVIII, monarquias católicas pressionaram Roma por maior controle sobre igrejas nacionais. Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773 sob forte pressão política. A Revolução Francesa confiscou propriedades, dissolveu ordens e reorganizou a Igreja sem consentimento papal. Pio VI morreu prisioneiro de forças francesas, e alguns imaginaram que o papado terminaria.

Pio VII negociou a Concordata de 1801 com Napoleão, participou da coroação imperial, entrou em conflito com o imperador e foi preso. Depois da queda de Napoleão, recuperou os Estados Pontifícios e restaurou os jesuítas. O século XIX obrigou o papado a responder ao liberalismo, nacionalismo, industrialização e novas formas de Estado.

Pio IX iniciou seu pontificado com gestos reformistas, mas revoluções e guerras o tornaram mais defensivo. Definiu o dogma da Imaculada Conceição em 1854, publicou o Syllabus de erros em 1864 e convocou o Concílio Vaticano I. Em 1870, tropas do Reino da Itália tomaram Roma, encerrando o poder territorial papal sobre grande parte da região central italiana.

Assembleia episcopal do final do século XIX em uma basílica
Ilustração editorialO Vaticano I definiu a primazia e a infalibilidade papal em condições delimitadas, mas foi interrompido pela guerra de 1870.

A constituição Pastor aeternus definiu a primazia de jurisdição do bispo de Roma e a infalibilidade quando o papa fala ex cathedra, isto é, quando define de modo definitivo uma doutrina de fé ou moral para toda a Igreja. Isso não equivale a impecabilidade pessoal, inspiração constante ou acerto automático em política, ciência, diplomacia e administração.

O concílio foi interrompido pela guerra antes de desenvolver plenamente sua doutrina sobre os bispos e a Igreja. Quase um século depois, o Vaticano II retomaria a questão, colocando a primazia em relação com o colégio episcopal e a vida das igrejas locais.

07Séculos XX e XXI

Guerras mundiais, Vaticano II e um papado verdadeiramente global

Leão XIII respondeu à industrialização com Rerum novarum, em 1891, defendendo direitos e deveres de trabalhadores, proprietários e Estado. O documento tornou-se base da doutrina social católica moderna. Pio X reformou liturgia e direito canônico, incentivou a comunhão frequente e combateu o que chamava de modernismo.

Bento XV tentou mediação na Primeira Guerra Mundial e promoveu ajuda humanitária. Pio XI assinou os Tratados de Latrão de 1929, que criaram o Estado da Cidade do Vaticano, e publicou textos contra fascismo, nazismo e comunismo ateu, embora as relações diplomáticas da Igreja com regimes autoritários continuem objeto de análise.

Pio XII governou durante a Segunda Guerra e o Holocausto. Defensores enfatizam diplomacia, redes de auxílio e receio de que denúncias públicas provocassem represálias; críticos consideram insuficiente sua condenação pública específica do extermínio dos judeus. A abertura de arquivos do pontificado em 2020 ampliou a base documental, e o debate acadêmico permanece ativo. Reduzir o tema a “herói” ou “cúmplice” evita justamente as perguntas que as fontes exigem.

João XXIII surpreendeu ao convocar o Concílio Vaticano II. Entre 1962 e 1965, bispos de todo o mundo trataram de revelação, liturgia, Igreja, liberdade religiosa, ecumenismo, relações com religiões não cristãs e presença cristã no mundo moderno. Paulo VI conduziu as sessões finais e começou a implementar suas decisões.

Assembleia global inspirada no Concílio Vaticano II
Ilustração editorialO Vaticano II reuniu um episcopado mais global e relacionou o ministério do papa à colegialidade dos bispos e ao povo de Deus.

João Paulo I morreu após apenas 33 dias. A brevidade alimentou teorias conspiratórias, mas não existe prova histórica sólida de assassinato. João Paulo II transformou o alcance midiático e geográfico do papado, realizou numerosas viagens, dialogou com judeus e outras religiões e teve importância simbólica no fim do comunismo do Leste Europeu. Ao mesmo tempo, decisões de seu governo diante de abusos sexuais e movimentos eclesiais são avaliadas criticamente.

Bento XVI, teólogo que havia participado do Vaticano II, enfatizou a relação entre fé e razão. Em 2013, renunciou por considerar insuficientes suas forças, normalizando uma possibilidade jurídica raríssima. Francisco, primeiro latino-americano e primeiro jesuíta, destacou periferias, misericórdia, migrantes, ecologia integral e sinodalidade. Reformou estruturas financeiras e curiais, mas enfrentou polarização, resistências e críticas de direções opostas. Morreu em 21 de abril de 2025.

O conclave de maio de 2025 elegeu Robert Francis Prevost, que tomou o nome Leão XIV. Nascido em Chicago, agostiniano e naturalizado peruano após longo serviço no Peru, tornou-se o primeiro papa dos Estados Unidos e o primeiro de sua ordem. A página oficial da Santa Sé o identifica como o 267º sucessor de Pedro. Como seu pontificado está em andamento, qualquer avaliação histórica precisa permanecer provisória.

Teologia e ecumenismo

O que as tradições cristãs afirmam — e onde discordam

A história do papado não pode ser separada da pergunta teológica sobre autoridade na Igreja.

Visão católica

Sucessor de Pedro e princípio visível de unidade

A Igreja Católica ensina que o bispo de Roma exerce primazia universal a serviço da comunhão. O Vaticano II reafirmou o Vaticano I e, ao mesmo tempo, situou o papa como cabeça do colégio dos bispos, não como autoridade isolada do episcopado.

Visões ortodoxas

Primazia reconhecida, jurisdição universal contestada

Igrejas ortodoxas reconhecem a antiga precedência de Roma, mas rejeitam a forma de jurisdição universal e infalibilidade definida no Ocidente. O sentido de primazia no primeiro milênio permanece tema de diálogo.

Tradições da Reforma

Autoridade medida pelo evangelho e pelas Escrituras

Protestantes históricos rejeitaram pretensões papais que julgavam sem base bíblica. Hoje, diálogos luteranos, anglicanos e outros discutem se um ministério universal de unidade poderia ser recebido em forma reformada.

Em 2024, o Dicastério para a Promoção da Unidade dos Cristãos publicou uma síntese de décadas de diálogo. O documento observou uma convergência importante: muitas tradições percebem a necessidade de algum serviço de unidade universal, embora discordem sobre seu fundamento, autoridade e modo de exercício.

08Antipapas, numeração e lendas

Por que a lista não é tão simples quanto parece

Antipapa é a designação dada a um pretendente que reivindicou a Sé Romana em oposição a outro candidato depois reconhecido como legítimo. A palavra não significa necessariamente que todos os seus apoiadores agiram de má-fé. Em épocas de comunicação lenta, eleição contestada e pressão militar, comunidades inteiras podiam reconhecer linhas diferentes.

Hipólito de Roma costuma ser chamado de primeiro antipopapa, embora tenha se reconciliado antes da morte. O Grande Cisma do Ocidente gerou linhas romanas, avinhonesas e pisanas. O João XXIII do século XV, Baldassarre Cossa, foi posteriormente classificado como antipapa; por isso Angelo Roncalli pôde escolher o mesmo nome em 1958.

A numeração dos papas chamados João é notoriamente confusa. Não existe João XX porque cálculos medievais duplicaram um nome; um João XVI era antipapa, mas seu número permaneceu como lacuna. Também não há Martinho II e III na sequência moderna, pois dois papas chamados Marino foram lidos como “Martinho” por catálogos antigos.

Um Estêvão eleito em 752 morreu antes de ser consagrado. Durante séculos, algumas listas o contaram como Estêvão II, empurrando os números seguintes. A lista atual da Santa Sé não o inclui como papa, e o Estêvão que governou de 752 a 757 aparece como Estêvão II.

A Papisa Joana é a lenda mais famosa. Relatos escritos surgem no século XIII, muito depois da suposta vida da personagem, e as cronologias disponíveis não deixam uma lacuna plausível. A história é valiosa para estudar imaginação medieval, sátira e disputas confessionais, mas não deve ser apresentada como biografia comprovada.

Como tratamos controvérsias

Nem defesa automática, nem acusação sensacionalista. Indicamos o que é documentado, o que permanece disputado e o que pertence à lenda.

Sequência oficial

Os 267 pontificados, de Pedro a Leão XIV

Pesquise pelo nome, número, data ou século. Os cartões destacados incluem uma nota histórica adicional.

267pontificados encontrados
#001Século I

Pedro

c. 30/33–64/67

Origens e perseguições

Ver nota histórica

Pedro ocupa lugar central no Novo Testamento. Sua presença e morte em Roma pertencem à tradição cristã antiga; a forma institucional posterior do papado desenvolveu-se gradualmente.

#002Século I

Lino

68–79

Origens e perseguições

#003Século I

Anacleto ou Cleto

80–92

Origens e perseguições

#004Século I

Clemente I

92–99

Origens e perseguições

Ver nota histórica

A Primeira Carta de Clemente é um dos mais antigos testemunhos de uma igreja de Roma aconselhando outra comunidade cristã.

#005Século I–II

Evaristo

96/99–108

Origens e perseguições

#006Século II

Alexandre I

108/109–116/119

Origens e perseguições

#007Século II

Sisto I

117/119–126/128

Origens e perseguições

#008Século II

Telésforo

127/128–137/138

Origens e perseguições

#009Século II

Higino

138–142/149

Origens e perseguições

#010Século II

Pio I

142/146–157/161

Origens e perseguições

#011Século II

Aniceto

150/157–153/168

Origens e perseguições

#012Século II

Sóter

162/168–170/177

Origens e perseguições

#013Século II

Eleutério

171/177–185/193

Origens e perseguições

#014Século II

Vítor I

186/189–197/201

Origens e perseguições

Ver nota histórica

Vítor I participou da controvérsia sobre a data da Páscoa e costuma ser associado à crescente presença do latim na igreja romana.

#015Século II–III

Zeferino

198–217/218

Origens e perseguições

#016Século III

Calisto I

218–222

Origens e perseguições

#017Século III

Urbano I

222–230

Origens e perseguições

#018Século III

Ponciano

230–235

Origens e perseguições

Ver nota histórica

Exilado para a Sardenha, Ponciano renunciou para que a comunidade romana pudesse eleger um sucessor; é o primeiro caso de renúncia papal claramente documentado.

#019Século III

Antero

235–236

Origens e perseguições

#020Século III

Fabiano

236–250

Origens e perseguições

Ver nota histórica

Fabiano liderou a igreja romana por quatorze anos e morreu na perseguição do imperador Décio.

#021Século III

Cornélio

251–253

Origens e perseguições

Ver nota histórica

Seu pontificado enfrentou o cisma de Novaciano e a discussão sobre como receber cristãos que haviam cedido durante a perseguição.

#022Século III

Lúcio I

253–254

Origens e perseguições

#023Século III

Estêvão I

254–257

Origens e perseguições

#024Século III

Sisto II

257–258

Origens e perseguições

#025Século III

Dionísio

259–268

Origens e perseguições

#026Século III

Félix I

269–274

Origens e perseguições

#027Século III

Eutiquiano

275–283

Origens e perseguições

#028Século III

Caio

283–296

Origens e perseguições

#029Século III–IV

Marcelino

296–304

Origens e perseguições

#030Século IV

Marcelo I

306–309

Origens e perseguições

#031Século IV

Eusébio

309

Origens e perseguições

#032Século IV

Melquíades

311–314

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

Eleito pouco antes da paz constantiniana, Melquíades atravessou a passagem de uma igreja perseguida para uma instituição legalmente tolerada.

#033Século IV

Silvestre I

314–335

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

O Concílio de Niceia ocorreu durante seu longo pontificado. Silvestre não presidiu pessoalmente a assembleia, embora Roma tenha sido representada.

#034Século IV

Marcos

336

Da tolerância ao mundo pós-romano

#035Século IV

Júlio I

337–352

Da tolerância ao mundo pós-romano

#036Século IV

Libério

352–366

Da tolerância ao mundo pós-romano

#037Século IV

Dâmaso I

366–384

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

Dâmaso fortaleceu a memória dos mártires, defendeu a primazia romana e encarregou Jerônimo de revisar textos bíblicos latinos.

#038Século IV

Sirício

384–399

Da tolerância ao mundo pós-romano

#039Século IV–V

Anastácio I

399–401

Da tolerância ao mundo pós-romano

#040Século V

Inocêncio I

401–417

Da tolerância ao mundo pós-romano

#041Século V

Zósimo

417–418

Da tolerância ao mundo pós-romano

#042Século V

Bonifácio I

418–422

Da tolerância ao mundo pós-romano

#043Século V

Celestino I

422–432

Da tolerância ao mundo pós-romano

#044Século V

Sisto III

432–440

Da tolerância ao mundo pós-romano

#045Século V

Leão I

440–461

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

O Tomo de Leão foi decisivo no Concílio de Calcedônia. O encontro com Átila é histórico, mas seus efeitos foram ampliados por tradições posteriores.

#046Século V

Hilário

461–468

Da tolerância ao mundo pós-romano

#047Século V

Simplício

468–483

Da tolerância ao mundo pós-romano

#048Século V

Félix III

483–492

Da tolerância ao mundo pós-romano

#049Século V

Gelásio I

492–496

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

Gelásio formulou uma influente distinção entre autoridade sacerdotal e poder real, texto depois usado em debates medievais sobre Igreja e Estado.

#050Século V

Anastácio II

496–498

Da tolerância ao mundo pós-romano

#051Século V–VI

Símaco

498–514

Da tolerância ao mundo pós-romano

#052Século VI

Hormisda

514–523

Da tolerância ao mundo pós-romano

#053Século VI

João I

523–526

Da tolerância ao mundo pós-romano

#054Século VI

Félix IV

526–530

Da tolerância ao mundo pós-romano

#055Século VI

Bonifácio II

530–532

Da tolerância ao mundo pós-romano

#056Século VI

João II

532/533–535

Da tolerância ao mundo pós-romano

#057Século VI

Agapito I

535–536

Da tolerância ao mundo pós-romano

#058Século VI

Silvério

536–537

Da tolerância ao mundo pós-romano

#059Século VI

Vigílio

537–555

Da tolerância ao mundo pós-romano

#060Século VI

Pelágio I

556–561

Da tolerância ao mundo pós-romano

#061Século VI

João III

561–574

Da tolerância ao mundo pós-romano

#062Século VI

Bento I

575–579

Da tolerância ao mundo pós-romano

#063Século VI

Pelágio II

579–590

Da tolerância ao mundo pós-romano

#064Século VI–VII

Gregório I

590–604

Da tolerância ao mundo pós-romano

Ver nota histórica

Gregório Magno reformou a administração, escreveu a Regra Pastoral e enviou a missão de Agostinho de Cantuária aos anglo-saxões.

#065Século VII

Sabiniano

604–606

Papado medieval inicial

#066Século VII

Bonifácio III

607

Papado medieval inicial

#067Século VII

Bonifácio IV

608–615

Papado medieval inicial

#068Século VII

Adeodato I

615–618

Papado medieval inicial

#069Século VII

Bonifácio V

619–625

Papado medieval inicial

#070Século VII

Honório I

625–638

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Honório I foi condenado postumamente no contexto da controvérsia monotelita. O episódio permanece central nos debates sobre os limites da autoridade papal.

#071Século VII

Severino

638/640–640

Papado medieval inicial

#072Século VII

João IV

640–642

Papado medieval inicial

#073Século VII

Teodoro I

642–649

Papado medieval inicial

#074Século VII

Martinho I

649–655

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Martinho I foi preso por ordem imperial, levado a Constantinopla e morreu no exílio após resistir ao monotelismo.

#075Século VII

Eugênio I

654–657

Papado medieval inicial

#076Século VII

Vitaliano

657–672

Papado medieval inicial

#077Século VII

Adeodato II

672–676

Papado medieval inicial

#078Século VII

Dono

676–678

Papado medieval inicial

#079Século VII

Agatão

678–681

Papado medieval inicial

#080Século VII

Leão II

681/682–683

Papado medieval inicial

#081Século VII

Bento II

684–685

Papado medieval inicial

#082Século VII

João V

685–686

Papado medieval inicial

#083Século VII

Conon

686–687

Papado medieval inicial

#084Século VII–VIII

Sérgio I

687–701

Papado medieval inicial

#085Século VIII

João VI

701–705

Papado medieval inicial

#086Século VIII

João VII

705–707

Papado medieval inicial

#087Século VIII

Sisínio

708

Papado medieval inicial

#088Século VIII

Constantino

708–715

Papado medieval inicial

#089Século VIII

Gregório II

715–731

Papado medieval inicial

#090Século VIII

Gregório III

731–741

Papado medieval inicial

#091Século VIII

Zacarias

741–752

Papado medieval inicial

#092Século VIII

Estêvão II

752–757

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Sua aliança com os francos favoreceu o surgimento dos Estados Pontifícios. A numeração exclui um Estêvão eleito em 752 que morreu antes da consagração.

#093Século VIII

Paulo I

757–767

Papado medieval inicial

#094Século VIII

Estêvão III

768–772

Papado medieval inicial

#095Século VIII

Adriano I

772–795

Papado medieval inicial

#096Século VIII–IX

Leão III

795–816

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Leão III coroou Carlos Magno imperador no Natal de 800, um gesto de enorme repercussão para as relações entre papado e império.

#097Século IX

Estêvão IV

816–817

Papado medieval inicial

#098Século IX

Pascoal I

817–824

Papado medieval inicial

#099Século IX

Eugênio II

824–827

Papado medieval inicial

#100Século IX

Valentim

827

Papado medieval inicial

#101Século IX

Gregório IV

827–844

Papado medieval inicial

#102Século IX

Sérgio II

844–847

Papado medieval inicial

#103Século IX

Leão IV

847–855

Papado medieval inicial

#104Século IX

Bento III

855–858

Papado medieval inicial

#105Século IX

Nicolau I

858–867

Papado medieval inicial

#106Século IX

Adriano II

867–872

Papado medieval inicial

#107Século IX

João VIII

872–882

Papado medieval inicial

#108Século IX

Marino I

882–884

Papado medieval inicial

#109Século IX

Adriano III

884–885

Papado medieval inicial

#110Século IX

Estêvão V

885–891

Papado medieval inicial

#111Século IX

Formoso

891–896

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Depois de sua morte, o corpo de Formoso foi julgado no chamado Sínodo do Cadáver. O episódio mostra a violência das facções romanas do século IX.

#112Século IX

Bonifácio VI

896

Papado medieval inicial

#113Século IX

Estêvão VI

896–897

Papado medieval inicial

#114Século IX

Romano

897

Papado medieval inicial

#115Século IX

Teodoro II

897

Papado medieval inicial

#116Século IX–X

João IX

897/898–900

Papado medieval inicial

#117Século X

Bento IV

900–903

Papado medieval inicial

#118Século X

Leão V

903

Papado medieval inicial

#119Século X

Sérgio III

904–911

Papado medieval inicial

#120Século X

Anastácio III

911–913

Papado medieval inicial

#121Século X

Lando

913–914

Papado medieval inicial

#122Século X

João X

914–928

Papado medieval inicial

#123Século X

Leão VI

928

Papado medieval inicial

#124Século X

Estêvão VII

929–931

Papado medieval inicial

#125Século X

João XI

931–936

Papado medieval inicial

#126Século X

Leão VII

936–939

Papado medieval inicial

#127Século X

Estêvão VIII

939–942

Papado medieval inicial

#128Século X

Marino II

942–946

Papado medieval inicial

#129Século X

Agapito II

946–955

Papado medieval inicial

#130Século X

João XII

955–964

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

João XII encarnou a forte politização aristocrática do papado no século X; sua deposição e substituição continuam cercadas por problemas canônicos.

#131Século X

Leão VIII

963–965

Papado medieval inicial

#132Século X

Bento V

964–965

Papado medieval inicial

#133Século X

João XIII

965–972

Papado medieval inicial

#134Século X

Bento VI

972/973–974

Papado medieval inicial

#135Século X

Bento VII

974–983

Papado medieval inicial

#136Século X

João XIV

983–984

Papado medieval inicial

#137Século X

João XV

985–996

Papado medieval inicial

#138Século X

Gregório V

996–999

Papado medieval inicial

#139Século X–XI

Silvestre II

999–1003

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Silvestre II foi um importante erudito. Lendas que o transformaram em mago não são consideradas relatos históricos confiáveis.

#140Século XI

João XVII

1003

Papado medieval inicial

#141Século XI

João XVIII

1003/1004–1009

Papado medieval inicial

#142Século XI

Sérgio IV

1009–1012

Papado medieval inicial

#143Século XI

Bento VIII

1012–1024

Papado medieval inicial

#144Século XI

João XIX

1024–1032

Papado medieval inicial

#145Século XI

Bento IX — primeiro pontificado

1032–1044

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Bento IX aparece três vezes na sequência oficial porque ocupou, perdeu e retomou o ofício. O caso é excepcional na história papal.

#146Século XI

Silvestre III

1045

Papado medieval inicial

#147Século XI

Bento IX — segundo pontificado

1045

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Segundo período de Bento IX, muito breve, entre a expulsão de Silvestre III e sua própria renúncia.

#148Século XI

Gregório VI

1045–1046

Papado medieval inicial

#149Século XI

Clemente II

1046–1047

Papado medieval inicial

#150Século XI

Bento IX — terceiro pontificado

1047–1048

Papado medieval inicial

Ver nota histórica

Terceiro e último período de Bento IX. Sua história evidencia a crise romana que antecedeu a reforma papal do século XI.

#151Século XI

Dâmaso II

1048

Papado medieval inicial

#152Século XI

Leão IX

1049–1054

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Leão IX foi protagonista da reforma do século XI. As excomunhões de 1054 ocorreram quando ele já havia morrido e não explicam, sozinhas, a longa separação entre Oriente e Ocidente.

#153Século XI

Vítor II

1055–1057

Reforma e auge medieval

#154Século XI

Estêvão IX

1057–1058

Reforma e auge medieval

#155Século XI

Nicolau II

1058–1061

Reforma e auge medieval

#156Século XI

Alexandre II

1061–1073

Reforma e auge medieval

#157Século XI

Gregório VII

1073–1085

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Gregório VII associou a reforma clerical à independência da Igreja diante do controle laico e entrou em conflito com Henrique IV na Questão das Investiduras.

#158Século XI

Vítor III

1086/1087–1087

Reforma e auge medieval

#159Século XI

Urbano II

1088–1099

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Urbano II convocou a Primeira Cruzada em Clermont, em 1095. O estudo histórico precisa considerar tanto motivações religiosas quanto violência e interesses políticos.

#160Século XI–XII

Pascoal II

1099–1118

Reforma e auge medieval

#161Século XII

Gelásio II

1118–1119

Reforma e auge medieval

#162Século XII

Calisto II

1119–1124

Reforma e auge medieval

#163Século XII

Honório II

1124–1130

Reforma e auge medieval

#164Século XII

Inocêncio II

1130–1143

Reforma e auge medieval

#165Século XII

Celestino II

1143–1144

Reforma e auge medieval

#166Século XII

Lúcio II

1144–1145

Reforma e auge medieval

#167Século XII

Eugênio III

1145–1153

Reforma e auge medieval

#168Século XII

Anastácio IV

1153–1154

Reforma e auge medieval

#169Século XII

Adriano IV

1154–1159

Reforma e auge medieval

#170Século XII

Alexandre III

1159–1181

Reforma e auge medieval

#171Século XII

Lúcio III

1181–1185

Reforma e auge medieval

#172Século XII

Urbano III

1185–1187

Reforma e auge medieval

#173Século XII

Gregório VIII

1187

Reforma e auge medieval

#174Século XII

Clemente III

1187–1191

Reforma e auge medieval

#175Século XII

Celestino III

1191–1198

Reforma e auge medieval

#176Século XII–XIII

Inocêncio III

1198–1216

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Inocêncio III representa o auge da monarquia papal medieval e convocou o IV Concílio de Latrão, em 1215.

#177Século XIII

Honório III

1216–1227

Reforma e auge medieval

#178Século XIII

Gregório IX

1227–1241

Reforma e auge medieval

#179Século XIII

Celestino IV

1241

Reforma e auge medieval

#180Século XIII

Inocêncio IV

1243–1254

Reforma e auge medieval

#181Século XIII

Alexandre IV

1254–1261

Reforma e auge medieval

#182Século XIII

Urbano IV

1261–1264

Reforma e auge medieval

#183Século XIII

Clemente IV

1265–1268

Reforma e auge medieval

#184Século XIII

Gregório X

1271–1276

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Gregório X promulgou regras para acelerar eleições papais; daí se consolidou a prática do conclave.

#185Século XIII

Inocêncio V

1276

Reforma e auge medieval

#186Século XIII

Adriano V

1276

Reforma e auge medieval

#187Século XIII

João XXI

1276–1277

Reforma e auge medieval

#188Século XIII

Nicolau III

1277–1280

Reforma e auge medieval

#189Século XIII

Martinho IV

1281–1285

Reforma e auge medieval

#190Século XIII

Honório IV

1285–1287

Reforma e auge medieval

#191Século XIII

Nicolau IV

1288–1292

Reforma e auge medieval

#192Século XIII

Celestino V

1294

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Eremita eleito após longa vacância, Celestino V renunciou poucos meses depois. Sua renúncia mostrou que deixar o ofício era juridicamente possível.

#193Século XIII–XIV

Bonifácio VIII

1294–1303

Reforma e auge medieval

Ver nota histórica

Bonifácio VIII defendeu formulações máximas de autoridade papal e entrou em choque com Filipe IV da França.

#194Século XIV

Bento XI

1303–1304

Avignon e Grande Cisma

#195Século XIV

Clemente V

1305–1314

Avignon e Grande Cisma

Ver nota histórica

Com Clemente V começou o período em que os papas residiram em Avignon, sob forte influência política francesa.

#196Século XIV

João XXII

1316–1334

Avignon e Grande Cisma

#197Século XIV

Bento XII

1334–1342

Avignon e Grande Cisma

#198Século XIV

Clemente VI

1342–1352

Avignon e Grande Cisma

#199Século XIV

Inocêncio VI

1352–1362

Avignon e Grande Cisma

#200Século XIV

Urbano V

1362–1370

Avignon e Grande Cisma

#201Século XIV

Gregório XI

1370–1378

Avignon e Grande Cisma

Ver nota histórica

Gregório XI retornou de Avignon para Roma em 1377. Sua morte logo depois abriu o caminho para o Grande Cisma do Ocidente.

#202Século XIV

Urbano VI

1378–1389

Avignon e Grande Cisma

Ver nota histórica

A eleição de Urbano VI foi seguida pela escolha de um rival em Avignon, iniciando décadas de obediências concorrentes.

#203Século XIV–XV

Bonifácio IX

1389–1404

Avignon e Grande Cisma

#204Século XV

Inocêncio VII

1404–1406

Avignon e Grande Cisma

#205Século XV

Gregório XII

1406–1415

Avignon e Grande Cisma

Ver nota histórica

Gregório XII renunciou no processo conciliar que encerrou o Grande Cisma. Sua abdicação ajudou a tornar possível uma eleição reconhecida de modo amplo.

#206Século XV

Martinho V

1417–1431

Avignon e Grande Cisma

Ver nota histórica

Eleito no Concílio de Constança, Martinho V restaurou uma linha papal amplamente reconhecida depois do Grande Cisma.

#207Século XV

Eugênio IV

1431–1447

Avignon e Grande Cisma

#208Século XV

Nicolau V

1447–1455

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Nicolau V promoveu humanismo e biblioteca, mas bulas de seu pontificado também autorizaram conquista e escravização em contextos coloniais; esse legado exige avaliação crítica.

#209Século XV

Calisto III

1455–1458

Renascimento e reformas

#210Século XV

Pio II

1458–1464

Renascimento e reformas

#211Século XV

Paulo II

1464–1471

Renascimento e reformas

#212Século XV

Sisto IV

1471–1484

Renascimento e reformas

#213Século XV

Inocêncio VIII

1484–1492

Renascimento e reformas

#214Século XV–XVI

Alexandre VI

1492–1503

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Alexandre VI, da família Bórgia, é associado a nepotismo e política dinástica. A bula Inter caetera integrou a expansão colonial ibérica e teve consequências duradouras.

#215Século XVI

Pio III

1503

Renascimento e reformas

#216Século XVI

Júlio II

1503–1513

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Júlio II foi patrono de grandes obras, inclusive a nova Basílica de São Pedro, e também um governante militar envolvido nas guerras italianas.

#217Século XVI

Leão X

1513–1521

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Leão X governava quando a controvérsia das indulgências e a atuação de Martinho Lutero precipitaram a Reforma Protestante.

#218Século XVI

Adriano VI

1522–1523

Renascimento e reformas

#219Século XVI

Clemente VII

1523–1534

Renascimento e reformas

#220Século XVI

Paulo III

1534–1549

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Paulo III aprovou a Companhia de Jesus e convocou o Concílio de Trento, marco central da Reforma Católica.

#221Século XVI

Júlio III

1550–1555

Renascimento e reformas

#222Século XVI

Marcelo II

1555

Renascimento e reformas

#223Século XVI

Paulo IV

1555–1559

Renascimento e reformas

#224Século XVI

Pio IV

1559–1565

Renascimento e reformas

#225Século XVI

Pio V

1566–1572

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Pio V executou reformas tridentinas e promulgou edições do Missal e do Breviário romanos de grande influência.

#226Século XVI

Gregório XIII

1572–1585

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

Gregório XIII deu nome ao calendário promulgado em 1582, hoje base do calendário civil em grande parte do mundo.

#227Século XVI

Sisto V

1585–1590

Renascimento e reformas

#228Século XVI

Urbano VII

1590

Renascimento e reformas

#229Século XVI

Gregório XIV

1590–1591

Renascimento e reformas

#230Século XVI

Inocêncio IX

1591

Renascimento e reformas

#231Século XVI–XVII

Clemente VIII

1592–1605

Renascimento e reformas

#232Século XVII

Leão XI

1605

Renascimento e reformas

#233Século XVII

Paulo V

1605–1621

Renascimento e reformas

#234Século XVII

Gregório XV

1621–1623

Renascimento e reformas

#235Século XVII

Urbano VIII

1623–1644

Renascimento e reformas

Ver nota histórica

O processo de Galileu ocorreu sob Urbano VIII. O episódio envolve ciência, interpretação bíblica, relações pessoais e política institucional.

#236Século XVII

Inocêncio X

1644–1655

Renascimento e reformas

#237Século XVII

Alexandre VII

1655–1667

Renascimento e reformas

#238Século XVII

Clemente IX

1667–1669

Renascimento e reformas

#239Século XVII

Clemente X

1670–1676

Renascimento e reformas

#240Século XVII

Inocêncio XI

1676–1689

Renascimento e reformas

#241Século XVII

Alexandre VIII

1689–1691

Renascimento e reformas

#242Século XVII–XVIII

Inocêncio XII

1691–1700

Renascimento e reformas

#243Século XVIII

Clemente XI

1700–1721

Iluminismo e revoluções

#244Século XVIII

Inocêncio XIII

1721–1724

Iluminismo e revoluções

#245Século XVIII

Bento XIII

1724–1730

Iluminismo e revoluções

#246Século XVIII

Clemente XII

1730–1740

Iluminismo e revoluções

#247Século XVIII

Bento XIV

1740–1758

Iluminismo e revoluções

#248Século XVIII

Clemente XIII

1758–1769

Iluminismo e revoluções

#249Século XVIII

Clemente XIV

1769–1774

Iluminismo e revoluções

Ver nota histórica

Sob pressão de cortes católicas europeias, Clemente XIV suprimiu a Companhia de Jesus em 1773; a ordem seria restaurada em 1814.

#250Século XVIII

Pio VI

1775–1799

Iluminismo e revoluções

Ver nota histórica

Pio VI enfrentou a Revolução Francesa, foi capturado por forças francesas e morreu prisioneiro em Valence.

#251Século XIX

Pio VII

1800–1823

Iluminismo e revoluções

Ver nota histórica

Pio VII negociou com Napoleão, foi aprisionado por ele e depois restaurou a Companhia de Jesus.

#252Século XIX

Leão XII

1823–1829

Iluminismo e revoluções

#253Século XIX

Pio VIII

1829–1830

Iluminismo e revoluções

#254Século XIX

Gregório XVI

1831–1846

Iluminismo e revoluções

#255Século XIX

Pio IX

1846–1878

Iluminismo e revoluções

Ver nota histórica

Pio IX teve o mais longo pontificado após Pedro segundo a contagem tradicional, definiu a Imaculada Conceição, convocou o Vaticano I e perdeu os Estados Pontifícios.

#256Século XIX–XX

Leão XIII

1878–1903

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

Leão XIII publicou Rerum novarum, documento decisivo para a doutrina social católica diante da industrialização.

#257Século XX

Pio X

1903–1914

Papado contemporâneo

#258Século XX

Bento XV

1914–1922

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

Bento XV buscou mediação e ajuda humanitária durante a Primeira Guerra Mundial, chamando o conflito de massacre inútil.

#259Século XX

Pio XI

1922–1939

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

Pio XI assinou os Tratados de Latrão, que criaram o Estado da Cidade do Vaticano, e publicou críticas a ideologias totalitárias.

#260Século XX

Pio XII

1939–1958

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

O pontificado de Pio XII atravessou a Segunda Guerra e o Holocausto. Historiadores debatem sua diplomacia, ações de socorro e silêncio público; arquivos abertos continuam alimentando a pesquisa.

#261Século XX

João XXIII

1958–1963

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

João XXIII convocou o Concílio Vaticano II e publicou Pacem in terris em meio às tensões da Guerra Fria.

#262Século XX

Paulo VI

1963–1978

Papado contemporâneo

Ver nota histórica

Paulo VI conduziu as três sessões finais do Vaticano II, promoveu viagens internacionais e publicou Humanae vitae.

#263Século XX

João Paulo I

1978

Papado contemporâneo

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João Paulo I morreu após 33 dias. Investigações oficiais atribuíram a morte a causas naturais; teorias de assassinato não possuem comprovação histórica sólida.

#264Século XX–XXI

João Paulo II

1978–2005

Papado contemporâneo

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João Paulo II teve atuação global, contribuiu para o colapso do comunismo no Leste Europeu e promoveu diálogo inter-religioso; seu governo também é avaliado criticamente pela resposta a abusos.

#265Século XXI

Bento XVI

2005–2013

Papado contemporâneo

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Teólogo de longa trajetória, Bento XVI renunciou em 2013, primeira renúncia papal efetiva desde Gregório XII, em 1415.

#266Século XXI

Francisco

2013–2025

Papado contemporâneo

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Primeiro papa latino-americano, Francisco enfatizou periferias, cuidado dos pobres, ecologia integral e sinodalidade. Seu pontificado terminou com sua morte em 21 de abril de 2025.

#267Século XXI

Leão XIV

2025–presente

Papado contemporâneo

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Robert Francis Prevost foi eleito em 8 de maio de 2025. É o primeiro papa nascido nos Estados Unidos e o primeiro agostiniano; sua trajetória inclui longo serviço missionário e episcopal no Peru.

A numeração segue a lista oficial da Santa Sé. Ela conta separadamente os três períodos de Bento IX. Datas antigas podem variar entre catálogos porque as fontes não são igualmente completas.

Perguntas frequentes

Dúvidas importantes sobre os papas

Quantos papas existiram até hoje?

A lista oficial da Santa Sé apresenta Leão XIV como o 267º papa. A sequência conta separadamente os três períodos de Bento IX e não inclui os antipapas.

Pedro foi realmente o primeiro papa?

A Igreja Católica reconhece Pedro como o primeiro na sucessão dos bispos de Roma. Historicamente, sua liderança entre os apóstolos e sua morte em Roma pertencem a tradições muito antigas, mas a forma institucional do papado se desenvolveu gradualmente ao longo dos primeiros séculos.

O que é um antipapa?

Antipapa é uma pessoa que reivindicou o episcopado de Roma em oposição a outro pretendente depois reconhecido como legítimo. Em algumas crises medievais, a legitimidade não era evidente para os contemporâneos e só foi classificada posteriormente.

Já houve uma mulher papa?

A história da Papisa Joana aparece em fontes medievais tardias, séculos depois do período em que ela supostamente teria vivido. Não há documentação contemporânea confiável, e a narrativa não integra a lista oficial dos pontífices.

Um papa pode renunciar?

Sim. O direito canônico admite a renúncia livre e devidamente manifestada. Ponciano, Celestino V, Gregório XII e Bento XVI estão entre os casos mais importantes.

Infalibilidade significa que o papa nunca erra?

Não. Na doutrina católica, a infalibilidade possui condições delimitadas e se refere a definições sobre fé ou moral apresentadas de modo definitivo no exercício do magistério. Não cobre toda opinião, decisão administrativa, comportamento pessoal ou afirmação informal de um papa.

Fontes e critérios

Onde conferir e aprofundar

A numeração e as datas seguem prioritariamente a lista da Santa Sé, preservando suas indicações de incerteza. A interpretação histórica é confrontada com obras acadêmicas e documentos conciliares. Fontes confessionais são identificadas como expressão de suas próprias tradições.

  1. Lista oficial dos Sumos Pontífices — Santa Sé
  2. The Cambridge History of the Papacy — Cambridge University Press
  3. The Oxford Dictionary of Popes — Oxford Reference
  4. Pastor aeternus — Concílio Vaticano I
  5. Lumen gentium — Concílio Vaticano II
  6. The Bishop of Rome — síntese dos diálogos ecumênicos
  7. Biografia oficial de Leão XIV — Santa Sé
Nota editorial

As imagens desta página são ilustrações editoriais originais. Elas ajudam a ambientar períodos históricos e não devem ser interpretadas como registros fotográficos ou retratos exatos de pessoas identificadas.

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História da Igreja fica mais clara quando voltamos às fontes.

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